Fevereiro 6, 2007...1:23 pm

Ilmo. Sr. Fulano

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Geralmente, só se é tratado bem no mundo corporativo por alguém que quer algo de outrem. Quando se saca o telefone que soa e escuta-se um «É o Doutor Fulano?» Doutor? Sendo que você sequer completou o secundário. Reponha o fone no gancho: é zica certa.

Ou o antisséptico tratamento Ilmo. Sr. (Ilustríssimo Senhor). Solitamente acompanha cobranças: aos bancos muito apraz tal fórmula. Ou então prezado sr., prezado cliente. O Ilmo Sr. (muitas vezes lido literalmente: Ilmo Senhor) é ou inócuo ou perigoso. Se vem de alguma ONG ou Instituição de Caridade, querem dinheiro. O uso do Ilmo. Sr. nunca é impune.

É muito usado também nos inócuos convites de eventos da empresa ou repartição em que se convidam todos, mas ninguém será dispensado para ir. Aí, o Ilmo. Sr. é quase uma piada, de muito mau gosto, por sinal. Uma galhofa. O Envelope que tem uma etiqueta impressa, na linha superior antes do seu nome, nome que vem arrematado pela denominação oficial do seu cargo, na linha superior, coroando o seu nome inglório, lá está: Ilmo. Sr., o envelope ri de você. Se pudesse falar, ouvir-se-ia um sonoro Otário!

O Ilmo. Sr. é praticamente uma ofensa: equivale a chamar o destinatário de seu bosta, seu monte de merda e outras vulgaridades correlatas. Qualquer pé-rapado e vil pessoa pode ser tratada por Ilmo. Sr.. Não se iluda: é efetivamente uma ofensa. Proteste: feche a conta do banco que assim o trata. Ligue para a Companhia Telefônia que manda comunicados que comecem com a sentença e ponha abaixo da linha do chão o responsável. Brade de megafone! Faça aquele seu colega, que mandou um convite de casamento tratando você assim hediondamente, faça-o comer o convite, nem que o convite seja de papel cartão e a tinta dê alergia.

O que vem dentro do envelope, pouco importa: um comunicado reles, um convite pífio e ridículo impresso em papel vergé e tipo garamond. Agora, que o envelope ri de você, ah!, isso sim: ri mesmo.

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