Auto-avaliação. Como alguém pode auto-avaliar-se num ambiente punitivo? Expor-se e expor suas mazelas e problemas? Num país onde o desemprego reina, o medo manda e a traição ordena, alguém que, legitimamente quer expor-se pode terminar na rua da amargura.
Fiz auto-avaliação no trabalho, um escritório como mil há. Dei-me notas que considerei altas: nenhuma abaixo de sete e nenhuma maior que nove, ou seja, tudo dentro duma certa linha mediana: nem muito ruim, nem muito bom. Quando da careação com o superior, meu chefe disse “estar passado” porque eu tinha dado-me notas muito baixas; fez com que eu refizesse e as subisse.
Hoje, dou de cara com as avaliações gerais, afixadas numa parede. A nota mais baixa era um 9,25. Como assim?! Um lugar com tantos problemas e todo mundo se deu entre nove e dez? O senso de auto-conservação (e covardia e mediocridade também) fez com que as pessoas se dessem notas altas. Fico indignado de notórios boçais terem tido dez no desempenho geral! Ou seja, a avaliação não serviu para picas nenhuma!
Maio 21, 2008...1:28 pm
Avaliação do lobo pelos carneiros
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