Dezembro 13, 2007

Decoração de Natal

É nessa época do ano que a cafonice presente dentro de cada ser de escritório desabrocha na sua horripilante exuberância. É a época de empotocar a seção de festões e luzentes bolas de Natal, arvorezinhas, pisca-pisca, guirlandas cheirando a naftalina. Porcarias que vêem a luz do dia (ou a luz mortiça das lâmpadas flourescentes) um mês por ano. Brilhos, purpurinas e papais-noéis vem entupir os corredores normalmente assintomáticos dos escirtórios. Coisa de dar convulsão de luzes e colorido. Nem mesmo as inócuas plantas de corredor (aquela cheflera vagabunda e a samambaia desbotada) escapam de serem abichalhadas sem sequer poder expressar consentimento. Por esses e outros motivos, o Natal nos escritórios e repartições, costuma ser uma época miserável, pois continuam acontecendo as traições e rasteiras de sempre, mas sob o reflexo benfazejo das luzes natalinas.

Novembro 13, 2007

Responsabilidade social

O programa de caridade de nossa empresa tem por objetivo:

1. Conscientizar cada funcionário do seu papel social como ser atuante em sociedade.

2. Que é dever de todos contribuir para um mundo melhor.

A nossa empresa faz sua parte. Os cartuchos usados de nossas impressoras são triturados e adicionados à papinha das crianças do orfanato mantido pelo Sindicato dos Gráficos, como nutriente adicional e colorante.

Novembro 12, 2007

Holy See Guns

Defender-se é uma necessidade premente. Antes eram os mouros e a Cristandade inventou castelos e caldeirões de óleo fervendo. E agora, quando você pensava estar defeso de ladrões e assaltantes com o seu automóvel blindado e a sua casa isolada num rochedo, eis que surgem vampiros. E atrás dos vampiros virão os lobisomens.

É por isso que a Holy See Guns vem trazer a você, através da balística cabalística, novas armas contra as novas ameaças: detectores de falta de temperatura, balas de prata e estacas em mogno ou pinho.

A Holy See já abriu uma sucursal em Presidente Prudente, tendo em vista a invasão dos vampiros caipiras.

Holy See Guns. A única con cetificação vaticana.

Novembro 12, 2007

Um minuto para os reclames

Olá, amigo empresário. A Sánchez, Sauerkraut e Escobar, Advogados Associados, escritório com muitos anos de prática, oferece à sua empresa a melhor consultoria na área do Direito Comercial e Financeiro. Processamos com vitória garantida qualquer caso de violação de Direitos Autorais, vis lege. Nossos departamento de Direito Trabalhista é quase uma vacina contra esses empregados vagabundos que se inoculam com tendinites e torticulites por causa de indenizeções; não dê um tostão a esses vagabundos apoiados na comunistíssima CLT, ferramente antiquada e ultrapassada que ser somente como duto para escoar lucros e divisas.

Contrate os serviços da Sánchez, Sauerkraut e Escobar, Advogados Associados.

Outubro 31, 2007

Entretenimento

KIT LAZER “ALEGRIA CONTINUADA E PROGRESSIVA”
da Soluções Inventivas S/A

Parabéns a você, feliz proprietário do revolucionário método de lazer desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo da área da Engenharia do Entretenimento. Sucesso de público e vendas na Europa, nos Estados Unidos, Oceania e África, o método é baseado no tradicional jogo japonês majong acrescido do arcabouço cultural ocidental. Sucesso de vendas na Tanzânia e no Azerbaijão.

O método é recomendado para situações variadas de tédio doméstico, desde aquela chuva imprevista que acabou com a ida à praia até as indisposições conceituais entre os cônjuges. Também distrai as crianças (desde que alfabetizadas).

A novidade do nosso produto é o seu uso variado; embora ele destine-se ao lazer e ao entretenimento de qualidade, pode ter aplicações paralelas sem prejuízo de suas funções originais, visto que seu design tradicional, porém arrojado, permite a versatilidade funcional. Elenca-se entre tantos usos: a) afujentador de insetos inconvenientes; b) forração para gaiolas; c) material didático auxiliar.

O mais importante: o material do qual é fabricado é 100% reciclável e não agride a natureza, embora não se recomende o descarte em vias públicas.

Contra-indicações: o uso prolongado do produto ocasionou em 0,1% dos casos experimentados, nessa ordem: cefaléia, enfado, sonolência, perda parcial/gradativa de memória, irritação extrema, necrose do tecido epitelial da ponta dos dedos (por causa da tinta chinesa com adição de chumbo) e indigestão nos casos de ingestão por irritação extrema (1).

A equipe feliz e unida da SOLUÇÕES INVENTIVAS S/A deseja a você uma ótima diversão: sadia e inteligente.

Termo de Garantia

A garantia ilimitada deste produto é válida somente até o rompimento do lacre. Rompido o lacre, cessa qualquer responsabilidade ou prejuízo advindo pelo uso do produto.

(1) A SOLUÇÕES INVENTIVAS não se responsabiliza por esses sintomas caso a caixa com o KIT LAZER “ALEGRIA CONTINUADA E PROGRESSIVA” seja aberta.

Outubro 30, 2007

Misticismo corporativo

Outro dia, vi uma pessoa que arengava com a fotocopiadora insubmissa. As folhas enroscavam-se rebeldemente pelos rolos internos da máquina e terminavam em algum canto da trajetória amassadas e sujas de toner. entre imprecações várias e tabefes na máquina, a pessoa ofendia-a incisivamente:
— Anta!
E mais:
— Anta, anta, anta!
Mais ainda:
— Anta anta anta anta!
— Antantantantanta.
E assim, a pessoa largou a máquina, largou o emprego e foi atrás do nirvana num mosteiro budista em qualquer parte.

Outubro 26, 2007

Grandes títulos (III): O operário e o executivo

O executivo foi indagar ao operador de uma presa elétrica, como ele tão resignadamente suportava aquele barulho absurdo feito pela máquina e quais eram as suas filosofias de trabalho. Como o funcionário estava, no momento do inquérito, exatamente junto da máquina cumprindo as suas funções, o executivo articulou esmeradamente a pergunta, mas não obteve resposta. Falou novamente e o operário sequer virou-se. O executivo perdeu a paciência e berrou; o operário virou-se enfadado: “O que é que foi?” Aos berros o executivo refez a pergunta pela quarta vez. “Filosofia? Tem não, seu moço”.
O executivo explicava qual o conceito de filosofia aplicado àquela situação enquanto a fuligem do motor das máquinas impregnava o seu terno de corte italiano.
“Filosofia… como você interpreta as tarefas as quais você tem que estar executando… como você encara, como você encara a missão…”
“Missão? Uma missa grande?”
“Não, a sua missão… a filosofia com a qual você encara a realidade da empresa…”
“Então missão é a mesma coisa que fisologia e fisologia é a mesma coisa que missão?”
“É filosofia, não fisologia… qual a sua para encarar a sua missão na empresa?”
“Mas aqui não é uma empresa, moço, é uma fábrica.”
“Mas é um tipo de empresa!”
“Não é não… na empresa eles trabalham vestidos assim, igual ao senhor, e atendem telefones, escrevem em papéis e usam computadores e é límpo, sem esse pó preto daqui…”
“É uma empresa também.”
“Não é não; é uma fábrica suja e porca! Cheia de graxa e pó de ferro!”
“É uma empresa e ponto! Qual a sua filosofia, por favor, diga logo!”
“Por que o senhor não vai prà sua empresa e me deixa trabalhar em paz?”
“Porque eu preciso saber qual a sua filosofia para poder me sentir mais completo, entendeu?!”
“O senhor com certeza ganha mais. Já é mais completo.”
“Mas a coisa é filosófica, não tem a ver com dinheiro!”
O operário virou-se totalmente para o executivo e seu rosto, sujo de fuligem e refletindo o amarelo afogueado dum forno de fundição, pareceu afrouxar as feições carrancudas e tornaram-se mais doces e proclamou solenemente:
“Eu tenho a filosofia do cu.”
O executivo não esperava aquele grau de vulgaridade, mas, era uma filosofia que despontava; mesmo tendo um nome extravagante, era digna de ser ouvida e anotada. O nome, readaptá-lo-ia depois.
“Não me diga! E qual é?”
“Funciona assim: tudo mundo tem cu, não tem?”
O executivo pôs-se a pensar: tratava-se de algo que pensava numa coletividade, no traço comum de uma coletividade e poderia ser aplicado a um comportamento-tipo ou padrão. “Sim, cada um tem o seu próprio” e deixou o operário continuar.
“Então, doutor, por que o senhor não vai tomar no olho do seu cu e me deixa trabalhar em paz?”

Nem de toda lição é possível depreender comportamentos aproveitáveis para livros vagabundos de auto-ajuda corporativa; nem todos pensam da mesma maneira e e por tal que livros de conteúdo insípido atraem mentes moles azinhavradas pelo ganhar a todo custo.

Outubro 16, 2007

Instrução normativa 01/07

Fica inserida no conjunto dos desmandos, normativas e ordenanças gerenciais e diretoriais a seguinte instrução normativa, acordante com a legislação interna e regulamentos outorgados e mirabolados por S.ª Excia., o douto e egrégio Diretor desta seção.

Sobre os extratores de grampos e seus usos

1. Entende-se por extrator de grampo:

I. instrumento metálico, de qualquer liga, longo e provido de haste (isolada eletricamente ou não), com ponta semi-circular e de espessura que diminui progressivamente do corpo do instrumento propriamente dito, em direção à ponta finita.

II. instrumento cuja utilidade principal é de extrair grampos postos por aparelho manual-mecânico, dito grampeador.

IIa. entendendo-se então por grampo, um pequeno fio metálico (latão dourado ou prateado) que vem de fábrica dobrado em um quarto da extensão total em cada ponta e cada ponta vem dobrada em noventa graus em relação à metade remanescente; o grampeador força as pontas em direção à metade intacta até que fiquem paralelas, diminuindo o ângulo de noventa graus, tendendo a zero, nessa nova posição forçada pelo aparelho (o grampeador), o grampo e capaz de reter entre sua nova posição, pontas de folhas de papel, juntando-as num único volume.

2. Extratores de grampos, além de servirem para sua função óbvia, que é a de extrair grampos que unem calhamaços, podem servir também para:

I. desaderir goma de mascar acidentalmente aderida à sola de calçados;

II. livrar sulcos de solas de calçados de eventuais quantidades de massa fecal canina e/ou felina (prioritariamente) ou ainda humana ou qualquer outra espécie de massa fecal que aos sulcos tenham aderido por meio de passos incautos pela calçada; desde que não se trate de ocorrência durante saídas irregulares.

III. fazer com que o açúcar (de cana, sacarose) dilua-se no café, suco ou chá ingerido pelo funcionário.

Tais medidas têm por objetivo:

a. evitar que em nossos carpetes brotem sujidades variegadas, fazendo com que a Empresa economize em desinfectantes, desodorizadores e sabão.

b. economia de fundos referentes à aquisição de palhetas plásticas para a função especificada em (2.III).

Outubro 11, 2007

Feng-shui corporativo

Preste atenção a próxima vez que você adentrar o recinto do seu escritório. Mesmo que você não tenha um olfato espantoso e acima da média, ou até mesmo que tenha um olfato medíocre, sentirá um indelével odor de enxofre.

Outubro 5, 2007

Ofício Circular n.º 074/2006

Ofício Circular n.º 074/2006

Sobre cores e formas dos apetrechos tabulários de escritório.

O Diretor desta Secção faz saber algumas de suas resoluções:

1. Passa a ser monitorado tudo aquilo que existe sobre a mesa de trabalho dos nossos funcionários. Câmaras foram postas pelos canos e informantes foram recrutados e devidamente remunerados.

2. Ficam proibidos enfeites de mesa que não sejam os itens tabulários institucionais.

3. Entende-se por item tabulário institucional: a) os caneteiros com o logotipo da empresa; b) os prendedores de recados com o logotipo da empresa.

4. Quadrinhos com retratos de parentes até terceiro grau e desconhecidos ficam vetados; ficam vetados ainda bibelôs e objetos estranhos, objetos cerâmicos, plantas que não sejam as nossas samambaias certificadas e esterelizadas.

5. A cor de furadores, grampeadores e do revestimento dos lápis deverá ser preta (RGB 0,0,0, Trip. Ex. #000000), sem qualquer desvio no tom, pois a cor preta, científica e detalhadamente descrita, não admite tons. Canetas deverão ter o corpo cilíndrico ou chanfrado hexagonal em plástico cristal (para facilitar a visualização da tinta) e na cor de tinta preta, com tolerância para o azul. Ficam vetados lápis e canetas de cor e formas diversas das especificadas, como por exemplo:. A infração será punida com demissão por justa causa.

6. Deverá haver nos caneteiros/suportes de lápis: dois lápis pretos HB, um apontador cúbico de alumínio, duas canetas cujo tipo está especificado em (5), uma borracha branca vinil 42 x 21 x 11 mm, com capa verde, um estrator de grampos em metal prateado, um furador e um grampeador.

7. Todos os objetos fora das especificações deverão ser removidos das mesas em 24 horas, sem prorrogação.

Com as minhas melhores saudações para um dia produtivo,
O Diretor.